sábado, 17 de setembro de 2011


TIRIRICA, ANALFABETO...OU NÃO?!
(Escrevi logo após a eleições 2010).
Prólogo:
Independentemente do resultado do julgamento do caso Tiririca, se sua homologação como deputado federal, eleito pelo voto (e ponha voto nisso!!!) será impugnada ou não, o fato volta a suscitar, pelo menos em mim, a dúvida que me fez, há alguns anos atrás, enviar uma carta a uma deputada federal e ex-prefeita de São Paulo sugerindo um debate para essa questão. Nessa carta anexei o texto (leia abaixo), que foi também publicado em um jornal da colônia japonesa.

O ANALFABETO

         Em minha passagem pelo Japão, onde trabalhei como “dekassegui”, entre muitas coisas que aprendi, foi um fato que me marcou, logo que lá cheguei: ali, eu era um analfabeto! Afinal, o que é ser analfabeto? Segundo o Aurélio “aquele que não conhece o alfabeto, aquele que não sabe ler e escrever”. Cita o ilustre professor, em seu dicionário, o trecho de um livro de Graça Aranha, onde este diz “E que fez Russeau? Quase analfabeto até os trinta anos, começa a escrever aos trinta e cinco...”. Bem, voltemos à minha experiência na terra dos meus ancestrais.

         Além do meu conhecimento apenas superficial da cultura japonesa, não entendia, não falava, e muito menos lia, infelizmente. (Nasci logo após o final da II Grande Guerra e meu pai foi um dos que, com mais conhecimento da realidade, sofreu perseguições violentas dos “vitoristas” (estes acreditavam que o Japão estava vencendo a guerra) e que, como outros naquela situação, preferiu obedecer às ordens vigentes, não insistindo com os filhos para que aprendessem sua língua natal, e assim preservou nossa família.

         Com essas limitações, tive muita dificuldade em me adaptar ao país, mas, com muita vontade e alguma dedicação nas horas de folga, aprendi a falar algumas frases em japonês e a ler a sua escrita mais simples – o hiraganá e o katakaná. Essa leitura, embora básica, ajudou-me bastante pois muitos avisos, anúncios e placas de orientação são escritos com esse silabário, quando não, subscritas nos “kanjis” (ideogramas, uma escrita e leitura mais avançadas, difíceis).

         Os dicionários definem que para ser considerado alfabetizado o cidadão tem que saber ler e escrever. O coitado do matuto, criado no interior, no sertão ou no cerrado, quando pega no lápis e é obrigado a garranchar o a-e-i-o-u, muitas vezes acaba desistindo do aprendizado de alfabetização porque suas mãos calejadas pelo serviço pesado do campo não suportam esse tipo de esforço.

         Esta reflexão estendo aos educadores e legisladores. Não seria interessante priorizar em pelo menos 90% o ensino da leitura aos adultos analfabetos? Sabendo ler, com certeza saberão pegar ônibus, ler avisos, fechar negócios conscientes – se não entenderem algumas palavras poderão ver o significado lendo-o num dicionário. Muitos migrantes solicitam e até pagam para pessoas escreverem cartas à sua família (o filme “Central do Brasil” mostra bem isso). Sabendo ler terão condições de conferir se aquilo que ditou foi escrito, bem como, lerem a resposta, eles mesmos, sem necessidade de um alfabetizado. Aprender a escrever deve ser sua opção, dependerá de sua necessidade, seu esforço.

         Fica a pergunta:

         Alguém que só saiba ler, pode a ler, deve ser considerado um o um ANALFABETO?s acabva desisitndocimento da realidade, sofreu perseguiçser considerado ANALFABETO?

Hélio Nagado

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