terça-feira, 13 de agosto de 2013

MEIA, MEIA OU MEIA?

Para os lusófonos de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste não é fácil entender o Português tupiniquim. Alguém daqui, por outro lado, poderá argumentar que também encontramos dificuldades para compreender os nativos daqueles países. Sim, as dificuldades existem, mas o embaraço que provocamos àqueles nossos irmãos é muito maior. Vejamos o que aconteceu na sala de recepção de um salão de convenções em Fortaleza (CE) entre o recepcionista e um angolano que veio ao Brasil para participar de um congresso:

- Por favor, gostaria de fazer minha inscrição para o Congresso.
- Tem uma palestra agora na sala meia oito.
- Desculpe, qual sala?
 - Meia oito
 - Podes escrever?
 - Não sabe o que é meia oito? Sessenta e oito; assim, veja: 68.
 - Ah, entendi! "Meia" é seis.
 - Isso mesmo, meia é seis. Mas não vá embora, só mais uma informação: A organização do Congresso está cobrando uma pequena taxa para quem quiser ficar com o material: DVD, apostilas, etc.; gostaria de encomendar?

- Quanto tenho que pagar?
- Dez reais. Mas estrangeiros e estudantes pagam "meia".
 - Humm... Que bom! Aí está: seis reais.
 - Não, o senhor paga meia. Só cinco, entende?
 - Pago meia? Só cinco? "Meia" é cinco?
 - Isso, meia é cinco.
 - Tá bom, "meia" é cinco.

- Cuidado para não se atrasar, a palestra começa às nove e meia.
- Então já começou há quinze minutos, são nove e vinte.
 - Não, ainda faltam dez minutos. Como falei, só começa às nove e meia.
- Pensei que fosse às 09:05, pois "meia" não é cinco? Você pode escrever aqui a  hora que começa?
 - Nove e meia; assim, veja: 09:30.
 - Ah, entendi! Meia é trinta.
 - Isso, mesmo, nove e trinta. Mais uma coisa, senhor. Tenho aqui um folder de um hotel que está fazendo um preço especial para os congressistas, o senhor já está hospedado?

- Sim, já estou na casa de um amigo.
 - Em que bairro?
 - No Trinta Bocas.
 - Trinta Bocas? Não existe esse bairro em Fortaleza. Não seria no Seis Bocas?
 - Isso mesmo, no bairro "Meia" Boca.
 - Não é meia boca não, alí é um bairro nobre.
- Então deve ser "cinco" bocas.
 - Não!... Seis Bocas, entende, Seis Bocas! Chamam assim porque há um encontro de seis ruas; por isso, Seis Bocas. Entendeu?

- Sim. Entendi.

Você acredita que ele entendeu de verdade? Nem eu.


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