quinta-feira, 13 de novembro de 2014

CONTOS DO RAFA nº 3 - O taxista Tião e a senhora Alzira

O taxista Tião e a senhora Alzira

Na esquina do quarteirão de um grande supermercado de bairro da classe média de São Paulo existe um ponto de táxi no qual trabalham aproximadamente 20 motoristas de praça.
Entre os motoristas do ponto, Tião se destaca pela simplicidade e simpatia que trata colegas, clientes ou qualquer pessoa que com que ele interaja.
Semanalmente, Alzira, uma senhora de aproximadamente 80 anos, faz compras no supermercado e solicita um táxi do ponto para levá-la em casa.
Para a maioria dos taxistas, atender uma corrida da Alzira era sinônimo de prejuízo e perda de tempo. Afinal, além da residência de Alzira ser muito próxima do supermercado, ainda havia o “transtorno” de ajudá-la a levar as compras até o apartamento.
Assim, bastava a Alzira sair do supermercado com as suas sacolas que misteriosamente desapareciam todos os táxis do ponto.
Apenas Tião permanecia e atendia Alzira com paciência e boa vontade. Muitas vezes uma corrida de R$ 10,00 demorava mais de 40 minutos porque Tião fazia questão de levar as compras até o apartamento e, dependendo do caso, auxiliava Alzira com pequenas tarefas, como trocar lâmpadas ou carregar um objeto mais pesado.
Notando que somente Tião a atendia, Alzira passou a procurá-lo exclusivamente, programando dia e horário da corrida.
Tião era visto pelos colegas como o otário. Os que se achavam mais espertos faziam questão de debochar do motorista de boa vontade.
Teve um dia que um dos colegas de Tião fez questão de dizer para ele:
- Hoje, enquanto você estava com a velha, peguei uma corrida com um gringo e ganhei R$ 300,00!
Feliz pela sorte do colega, Tião respondeu:
- Que ótimo! O ganho de um dia bom em uma hora.
Vendo que Tião não se incomodou com o comentário e ainda o felicitou, o “sábio” colega entendeu por bem dar uma dica ao interlocutor:
- Deixa de ser trouxa Tião! Não está vendo que a velha está abusando de você? Podia ganhar muito mais se não ficasse perdendo tempo com gente como ela.
Sem se abalar, mas querendo por um fim no assunto, Tião declarou:
- Estamos aqui para atender quem nos procurar. Aguardo a minha vez e respeito a fila, sem prejudicar ninguém. A corrida que tiver que ser minha será. Não importa o valor. Nossa função é atender bem o cliente, levando-o em segurança para o destino solicitado.
Depois desse dia o assunto não foi mais abertamente discutido, mas bastava Tião sair para atender a senhora Alzira que os comentários voltavam.
Meses depois o telefone de Tião tocou:
- Boa tarde! Gostaria de falar com o Tião:
Tião respondeu:
- É ele quem está falando.
O homem do outro lado da linha prosseguiu:
- Tião, meu nome é Antônio. Você não me conhece. Sou filho da senhora Alzira, sua cliente do supermercado.
Com o seu jeito amistoso, Tião indagou:
- Pois não seu Antônio. Tudo bem com a sua mãe? Como posso ajudá-lo?
Antônio respondeu:
- Minha mãe está ótima. Aliás, muito obrigado pela paciência que tem com ela. Mas falando de negócios, sou diretor de um banco e precisamos de um taxista de confiança. Durante os próximos dois anos teremos corridas constantes para outros municípios. Gostaríamos de contratar os seus serviços nesse período.
 O negócio foi fechado. Com a remuneração decorrente do contrato, Tião pagou as dívidas e trocou de carro.
Graças ao seu carisma e disposição para ajudar, na época que prestou serviços ao banco Tião conquistou novos clientes.
A demanda de trabalho passou a ser tão intensa que raramente Tião aparece no ponto. Nas poucas vezes que isso acontece é para atender a senhora Alzira.
                Ainda hoje, quando os colegas veem Tião com a senhora Alzira, eles costumam comentar:
                - Esse daí não aprende mesmo! Ingênuo desse jeito nunca vai melhorar de vida.

Rafael Ferreira da Silva[1]






[1] O autor é casado e pai de uma menina, advogado em São Paulo e tem outros contos para compartilhar.

CHURRASCADA DE CONFRATERNIZAÇÃO 2014 - Fotos

Marcelo, capitão vencedor do jogo, ajudando na armação do "gato".

Tomaz puxando fios do gato.
Cadeiras e mesas foram trazidas pelos  irmãos Antonio e Tomaz.
Bruninho e o zagueirão Doriva ouvem o Professor Cido.
Craque Edú foi, como sempre há anos, nosso chef-churrasqueiro.

Kell e seus convidados. Atrás nosso novo atleta bom-de-bola Rod Marley,
 o Anderson teclando o celular e chegando o Padilha com um belo churrasco no pão 
Paulão olhando o espeto de linguiça oferecido pelo churrasqueiro Edú.
Atrás, o Carlão segurando o queixo, não acreditando no que o
Barba (Olair para os íntimos) lhe contou sobre sua barriga!!!!!
Os dois técnicos-capitães deste mês de novembro: Marcelo e Rodolpho.

Samuel "Samuca", Rodolpho e Marcelo.

Bruninho, Doriva, Professor, Antonio e Thiago.

Paulão, Ruy "Padilha" e em pé o Jorge "Chile".
Chilinho, logo desapareceu da festa. Todos perguntavam onde foi?  
Goleador Kell nos visitou depois de ter mudado da região.
Rodolpho cervejando e Anderson ainda no celular.
Para registrar a presença, uma self .

De costas o Thiago, em frente Professor, Antonio, Paulão, Padilha e o Chile.

Chilinho entre o Tomaz (mordendo um churra) e Bruninho.
Um poste azul?! Não! É o novo atleta do time, Rod Marley, garoto
bom de bola messssmo!Está ganhando esse apelido porque se chama RODrigo e
tem o cabelo grande em tranças , tipo Bob MARLEY (rei do reggae falecido em '81).


Todos só olhavam o trabalho profissional do AMIGO Edú.

TRUCO comendo solto.
Barba, Hélio e Carlão também "Santista" ?!
 Não! Ele é Curinguento Roxo!
Três duplas de truco.
Kell matador, aqui ele está de garçon.


A iluminação foi um gato armado pelo Antonio.

A luz estava acesa antes mesmo de escurecer.
Começou a escurecer ...

Com a gambiarra foi possível jogar truco até mais tarde.

 As 3 duplas do truco. Professor bebia mais do que jogava.

Nosso veteraníssimo craque Padilha, 80, falou muito de sua experiência.


Que noite gostosa.... demais !!!!!!!!
Latinhas vazias. TOMAMOS TODAS ! Rá!
Quase o Antonio e o Tomaz tinham que buscar mais! Rá!!!

Tivemos, como todo ano, um bolo comemorando todos os aniversariantes !
Estava uma delícia, como sempre, o bolo da Padaria Iracema (do Edú).
Maurão ainda estava com a camisa de goleiro. Não fez discurso, nada.
Só serviu a todos. Mas em compensação comeu muuuuito !!!


Carlão fez aniversário dia 4 de novembro., cortou o bolo.
Olha a faca!!!!
Rodolpho tsmbém cortou o bolo. As carnes foram
sua colaboração na nossa Confraternização anual.





37ºJogo 2014, 8/11: 4 a 3

Em jogo marcado para se iniciar às 15:30h por causa do Churrasco de Confraternização dos AMIGOS, só foi iniciado às 16:00h.. quando ficou completo o quorum necessário. 
Os times, deste 2º desafio dos craques Rodolpho e Marcelo foram assim escalados e o resultado foi de 4 a 3 pró Marcelo.

Time do Rodolpho: Gol.Cvdd., Anderson, Chile, Doriva, Edu, Hélio, Paulo, Rojas, Rodolpho, Rodrigo, Tomaz e Padilha.
Os 3 gols dos perdedores foram marcados por: Anderson 2 e Padilha 1 (um golaço, por cobertura, dentro da área pequena, cercado por dois adversários,  num espaço reduzidíssimo).
Time do Marcelo: Silvestre, Antonio, Carlão, Chilinho, Kell, Marcelo, Maurão, Rafael, Samuca, Thiago e Rod Marley.
Os 4 gols dos vencedores foram marcados por: Chilinho 1, Kell 1, Rafael 1 e Rod Marley 1.

ARBITRAGEM:
O jogo foi apitado pelo Barba, nosso juiz oficial. Foi um jogo com certa dificuldade para ele, devido à preocupação em não tirar a autoridade dos 2 bandeiras que o auxiliaram nas laterais do campo. Um bandeirinha foi o Professor e o outro o Bruninho. Algumas marcações pertinentes aos bandeirinhas foram discutidas e não aceitas por ambos os times, originando reclamações, até acintosas. Tanto foi, que o árbitro Barba deu os seguintes cartões: Amarelo,
do time do Rodolpho para o Anderson e  para o próprio capitão Rodolpho que no segundo amarelo recebeu o Vermelho, ficando excluído da partida por 10 minutos. Do time vencedor (Marcelo) receberam cartões Amarelo: Carlão, Chilinho e Thiago Ueda.

DESTAQUE
Foi eleito o Carlão, merecidamente, pelo esforço, disposição em campo e embora não tenha feito nenhum gol, sua participação foi decisiva no placar da vitória do seu time. 
Parabéns Carlão pelo destaque e também por ter completado mais um aniversário no último dia 4.

COMENTÁRIO DO JOGO
Reforçando o pedido que sempre fazemos para que os AMIGOS colaborem enviando seus comentários do jogo, críticas e sugestões, publicamos uma postagem à parte, sugerida pelo grande colaborador, nosso zagueirão, ex-juiz de futebol do quadro da FPF e jovem premiado escritor (vejam neste Blog "Os contos do Rafael", cada semana um conto inesquecível). Vejam, então, não um comentário do jogo, mas DOIS comentários. Muita atenção também no apelo que o Rafa realiza. Apesar de ser novo na equipe (em relação à maioria, composta de veteranos, ele está há menos de 2 anos conosco) é um grande colaborador e que se preocupa em manter a turma unida por mais décadas, além dos quase trinta que temos. Suas sugestões devem ser analisadas pelo Conselho, mas, também por todos os atletas AMIGOS e comentadas com objetividade. 

OCORRÊNCIA
Tivemos a presença do nosso AMIGO, grande matador Kell (neste jogo fez só 1 gol), que tendo mudado sua residência para longe da nossa região e devido à distância, preferiu deixar de pertencer ao nosso elenco há meses. Trouxe um convidado que colaborou como goleiro.
Grande Kell ! Quando puder venha matar as saudades.

REUNIÃO APÓS O JOGO
Após o jogo todos foram para o quiosque/currasqueira do Clube, onde fizemos nossa tradicional Churrascada de Confraternização do Amigos 2014.
Vejam as fotos neste Blog. Lamentavelmente não puderam participar da nossa festa os ausentes do jogo e mais o Rafael que jogou, mas não pode ficar para o churra, por compromisso com sua Igreja. 
Ao contrário da última Churrascada de Confraternização - 2013 (vejam as fotos no Blog), desta vez a festa pode se prolongar, graças ao "gato" realizado pelo Antonio, Tomaz, Maurão, e outros, que trouxeram fios e lâmpadas. Assim, o também tradicional e barulhento TRUCO, foi até mais tarde, quando ainda esteve presente o campeão desse jogo de baralho, nosso AMIGO, veterano atleta, craque e conselheiro Sadan (Athayde, para os íntimos), atualmente mais tempo no DM do que em campo.


segunda-feira, 10 de novembro de 2014

COMENTÁRIO DO JOGO: As duas versões do Rafael

PRÓLOGO 
Da redação.
Muito interessante esta demonstração de como existem interesses pessoais, políticos e outros, que levam jornalistas e comentaristas em geral,  a puxarem "a sardinha pra sua brasa" usando até uma certa violência na maneira de se expressar. Neste Blog, sempre peço que AMIGOS dos dois times que jogaram no último sábado, enviem seu comentário sobre como viram sua vitória ou sua derrota. Isso, sem dúvida, poderia levantar polêmicas, o que eu consideraria bastante saudável para animar e mexer com nosso grupo. O Rafael conseguiu realizar dois comentários bem antagônicos, como se fossem enviados por adversários na partida. Escreve de modo exagerado sobre alguns fatos e atletas, mas tudo muito bem bolado, criativo, dentro do contexto a que se propôs, isto é, mostrar a dedicação irrestrita, imensurável, de um sujeito em relação a um líder, a um time, partido, corporação, etc. mesmo que, claramente esteja demonstrando mais paixão do que sinceridade, bom senso e honestidade, 
Por isso resolvi publicar as duas versões, nesta matéria à parte:

Vamos ao texto, na íntegra, do Rafa:
Imagino que todos têm consciência que um determinado fato pode ser narrado de diversas maneiras. Tudo depende da perspectiva e motivação de quem narra a história.

Atualmente temos à disposição os mais variados meios de informação (televisão, rádio, internet, jornais, revistas, etc...) que repercutem os mesmos fatos de formas muito diferentes. Um determinado assunto é tratado de um jeito na Veja e de outro na Carta Capital. A Folha de São Paulo segue uma linha editorial e o Estado de São Paulo outra bem diferente.

No meio jornalístico existe uma piada que reflete isso.
Uma vez um editor chegou para um repórter e lhe deu o seguinte comando:
- Quero que você escreva uma matéria sobre o Natal.
E o repórter perguntou:
- A favor ou contra?

Portanto, quando forem ler sobre qualquer assunto, procurem saber quais são as convicções e com o que o escritor está comprometido. Procurem não assimilar a informação sem antes fazer um juízo crítico.

Para dar um exemplo do que estou expondo, dessa vez farei dois comentários sobre o jogo do último sábado. O primeiro adotará uma visão pró-Rodolpho e a outra uma linha contra-Rodolpho.

O grupo pode escolher se publicamos um dos comentários, os dois ou nenhum.

O Hélio determinará quando publicará a versão vencedora no blog.

Espero que se divirtam.

Um abraço,

Rafael
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Versão 1 - Pró Rodolpho

PREJUDICADO PELA ARBITRAGEM E NA FORMAÇÃO DOS TIMES, RODOLPHO SOFRE SUA SEGUNDA DERROTA NO CONFRONTO CONTRA MARCELO

Embora tenha feito um esforço hercúleo para jogar no último sábado, o capitão Rodolpho deveria ter seguido o seu plano inicial e vindo participar apenas do churrasco.

Afinal, um dos mais ilustres integrantes do grupo foi vítima de uma ardilosa armação arquitetada pelo seu maquiavélico adversário Marcelo.

A sacanagem começou desde a formação dos times.
Contando com o apoio de uma raposa que chegou vestida com a camisa do New Castle, Marcelo escolheu para si os melhores jogadores de cada posição, deixando para Rodolpho o que havia de pior como o parasita Anderson, o supervalorizado Edu, o falador Tomas, o ineficiente Doriva e o enganador Rodrigo.

O resultado de tamanho desiquilíbrio ficou evidente logo no começo do jogo, uma vez que o time de Marcelo abriu 2 x 0.

Para piorar, o tendencioso árbitro Barba, com a ajuda dos outros integrantes da quadrilha Bruno e Cido, fizeram de tudo para conter qualquer chance de reação do time do Rodolpho. Toda a progressão de ataque do time rubro-negro era contida com faltas e impedimentos inexistentes. Não bastasse a roubalheira, os integrantes da equipe de arbitragem ainda orientavam o time que vestia as camisas douradas. Do jeito que estava só faltou o próprio Barba chutar uma bola contra o gol do time de Rodolpho.

Apesar de ter tudo contra si, o valente Rodolpho liderou sua horda de incompetentes para uma heroica reação e o primeiro tempo terminou empatado em 2 x 2.

No intervalo, quando o indomável Samuca entraria no lugar do Maurão e o equilíbrio dos times poderia ser finalmente estabelecido com algumas trocas, o capitão Marcelo humilhou Rodolpho ao lhe impor goela abaixo a manutenção dos times com estrutura inicialmente estabelecida.

Ainda que limitado técnica e fisicamente, o time de Rodolpho resistia bravamente ao ímpeto do adversário.

Como o time de Marcelo não conseguia furar o bloqueio defensivo do time rubro-negro, coube ao gatuno Barba resolver o problema. Um penalti inexistente foi marcado. O zagueiro da lenga-lenga bateu e fez. Também era fácil, ainda que errasse era certo que a arbitragem mandaria voltar.

Um pouco depois, com a arbitragem ignorando uma falta de ataque ocorrida no início do lance, o time de Marcelo ampliou a vantagem para 4 x 2.

Mesmo que isso fosse o mesmo que dar murro em ponta de faca, o time de Rodolpho lutou para ao menos conseguir um empate. Conseguiu diminuir a diferença com o oportunismo de Padilha e quando tudo indicava que um milagre iria acontecer, misteriosamente a bola sumiu para esfriar o ímpeto da reação. Posteriormente, os repórteres desse informativo tiveram conhecimento que Marcelo havia dado dinheiro para que meninos dentro do clube escondessem a bola por um tempo.

Embora a partida tenha ficado parada por vários minutos, Barba não quis dar chance para o azar, dando acréscimos mínimos antes de encerrar a partida.

Assim, dentro dessa disputa de cartas marcadas do mês de novembro, Marcelo tem agora duas vitórias sobre Rodolpho.
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Versão 2 - Contra Rodolpho

A ANTIPATIA PERDE MAIS UMA VEZ! 
MARCELO CONQUISTA SUA SEGUNDA VITÓRIA.

Com a expectativa da realização do churrasco e com o quórum completo, o jogo do último sábado tinha tudo para ser agradável e bem disputado, ainda mais porque o antipático e reclamão Rodolpho havia anunciado que não poderia jogar.

Porém, para infelicidade da maioria, o chato Rodolpho não honrou sua palavra e acabou aparecendo para fazer parte da partida.

Como nunca chega no horário, a capitão Marcelo, com a ajuda do craque Carlão, teve que quebrar a cabeça para conseguir montar dois times equilibrados. Apesar da dificuldade decorrente da presença de jogadores com características muito diferentes, além de alguns rostos novos, Marcelo fez um ótimo trabalho.

O sujeitinho desagradável que liderou o time rubro-negro até tentou protestar, como sempre faz, porém era inegável que existia uma equivalência na equipes.

Afinal, o chorão Rodolpho tinha no seu time o mortífero Anderson, o polivalente Edu, o dínamo Tomas, a parede defensiva Doriva e o rápido Rodrigo.

Embora o time dourado tenha conseguido abrir 2 x 0 no início do jogo, o equilíbrio dos times logo se traduziu no placar tanto que o primeiro tempo terminou 2 x 2.

Seguindo sua linha de transferência de responsabilidade quando está perdendo, Rodolpho passou a protestar contra as marcações da arbitragem. Porém, as reclamações não tinham qualquer sentido, uma vez que a equipe composta de três ilustres integrantes, Barba, Cido e Bruno, tinham um atuação irretocável.

No intervalo, muito sabiamente Marcelo resistiu à tentativa do Dick Vigarista Rodolpho de mudar a estrutura dos times, assegurando que Samuca entrasse no lugar de Maurão no time dourado.

A partida seguiu equilibrada no segundo tempo e estava claro que seriam os detalhes que a decidiriam.

Em uma escapada rápida pela ponta esquerda Rodrigo Bob Marley sofreu penalti indiscutível. O zagueiro Rafael converteu na cobrança. Um pouco depois, aproveitando um contra-ataque, o time de Marcelo ampliou a vantagem para 4 x 2.

Ainda assim a partida seguiu equilibrada. O veterano Padilha, com muito oportunismo, diminuiu a diferença para o time do intragável Rodolpho.

Tudo poderia acontecer, porém Rodolpho, um mal perdedor descontrolado, propositalmente tirou a bola de campo, ciente de que ela demoraria para voltar. Assim, criou uma situação para justificar sua iminente derrota.

Ainda que com uma certa demora, a bola voltou (há quem diga que o crápula Rodolpho pagou para alguém esconder) e o restante do jogo foi disputado com muita emoção.

A partida foi encerrada e mais uma vitória foi assegurada pelo Marcelo. Rodolpho teve que engolir seu orgulho e arrogância e foi murcho participar do churrasco.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

CONTOS DO RAFA : Rômulo, Heloísa e a Jabiraca

Rômulo, Heloísa e a Jabiraca
           Depois de juntar dinheiro durante os últimos três anos, Rômulo finalmente tinha condições de comprar um carro usado à vista.
               Vendido por uma pessoa de confiança, amigo do primo do cunhado do vizinho do pai de Rômulo, o carro escolhido foi um Gol, branco, 1984, refrigerado a ar, popularmente conhecido como “batedeira”. Os amigos de Rômulo apelidaram o carro de Jabiraca.
       Bem conservado, equipado somente com peças originais, a Jabiraca funcionava muito bem e proporcionou a Rômulo uma liberdade até então jamais imaginada.
           Graças à Jabiraca, Rômulo virou o chofer da casa, passou a ser presença certa em festas, churrascos e demais reuniões organizadas pelos amigos, ajudava no transporte de bens e pessoas nas atividades da Igreja e começou a ser visto com outros olhos por algumas garotas. No entanto, Rômulo tinha olhos apenas para Heloísa, com quem flertava fazia algum tempo.
Heloísa era uma garota que Rômulo conheceu no ônibus quando ia do trabalho para a escola. Ela era simpática, conversava bastante e alimentava os galanteios que recebia de Rômulo, porém quando era convidada para sair, sempre recusava o convite com alguma desculpa que não fazia sentido.
Em um desses encontros no ônibus, Rômulo e Heloísa conversavam quando ele perguntou:
- O que vai fazer depois da aula na sexta-feira?
- Tenho que voltar direto para a casa. Preciso levar minha avó na musculação!
- Que pena. Hoje vou sair mais cedo e estava pensando em lhe convidar para sairmos. Faz algum tempo que comprei um carro e podia te levar para aquele barzinho que está fazendo o maior sucesso.
- É mesmo!?!? Acabo de lembrar que minha avó está com os bíceps distendidos e não deve ir para academia hoje.
Um pouco mais tarde, Rômulo encostou a Jabiraca em frente à casa de Heloísa e buzinou. Heloísa saiu toda sorridente e saltitante de casa, mas quando viu Rômulo dentro do Gol branco sua fisionomia mudou.
Sem perceber o semblante de Heloísa, Rômulo desceu do carro abriu a porta para ela, e disse todo entusiasmado:
- Nossa você está linda! E aí? Gostou da Jabiraca?
Heloisa sorriu, entrou no carro e, enquanto Rômulo dava a volta para entrar pela porta do motorista, sussurrou:
- Que lata-velha! Como ele tem coragem de me convidar para sair em um carro desses?
Pelo visto a Jabiraca não gostou do que ouviu. Quando Rômulo girou a chave na ignição, o carro não ligou. Rômulo tentou mais algumas vezes, mas nada. Ele saiu, abriu o capô, examinou o motor, testou a parte elétrica, no entanto não havia explicação para aquele apagão. Sem saber o que fazer, pediu desculpas para Heloísa e chamou um guincho. Misteriosamente, foi só ela entrar em casa que, no primeiro teste do mecânico, o carro voltou a funcionar.
Apesar do contratempo, o obstinado Rômulo voltou a convidar Heloisa para sair. Os outros encontros foram bem sucedidos e eles começaram a namorar. Ocorre que a relação entre Heloisa e Jabiraca começou mal e dava sinais de que não se resolveria. Coincidência ou não, sempre que a Jabiraca falhava a Heloisa estava junto.
Teve uma vez que eles foram encontrar as amigas da Heloisa em uma pizzaria. Terminada a reunião, Rômulo se ofereceu para levar as moças para casa. Parece que a Jabiraca não gostou do ato de simpatia do dono para com as amigas de sua rival e resolveu morrer. Só funcionou depois que todos saíram do carro em uma noite chuvosa e tiveram que empurrar para pegar no tranco.
Em outra oportunidade, quando voltavam de uma festa, tudo corria bem até que Heloisa perguntou a Rômulo se ele não pensava em trocar de carro. Imediatamente o veículo começou a trepidar. O pneu havia furado. O pior é que uma das porcas do parafuso da roda estava espanada e Rômulo não conseguiu fazer a troca do pneu sozinho, tendo que esperar a chegada de um borracheiro chamado ao local. Enquanto sofria para tentar girar a porca espanada, Rômulo teve que ouvir um espírito de porco dentro de uma BMW parar perto de onde o carro estava e falar com a Heloisa:
- Se você estivesse em um desses não estaria passando por isso lindona!
Rômulo só não jogou a chave de roda na BMW porque não deu tempo. O engraçadinho percebeu a ameaça e arrancou dali.
Mesmo com esses e tantos outros contratempos proporcionados pela Jabiraca, Rômulo relutava em se desfazer do carro. Primeiro porque era apaixonado pela Jabiraca.  A troca por um modelo mais novo não era viável, pois Rômulo estava juntando dinheiro para casar com Heloisa. Além do mais, ficar sem carro era uma hipótese que sequer podia ser cogitada.
A gota d´água ocorreu no dia do casamento de Rômulo e Heloisa. Por questões financeiras, o evento se restringiu à cerimônia civil e a uma reunião para poucos convidados organizada na casa da irmã de Heloisa, que ficava a uns 50 quilômetros do casamento.
Após sair do cartório, com a noiva e os sogros dentro da Jabiraca, Rômulo dirigia rumo à reunião. Quando estava parado no pedágio, com dois carros à sua frente em relação à cabine de cobrança, a Jabiraca apagou e não voltava a funcionar. Rômulo foi obrigado a passar pelo pedágio empurrando o carro, com a ajuda dos sogros e com Heloísa vestida de branco, com as mãos no rosto morta de vergonha.
Transtornado, Rômulo parou o carro no acostamento, chutou, esmurrou e xingou a Jabiraca. Não entendia como um veículo que lhe deu tanta alegria o traíra daquela forma, justamente no dia mais importante da sua vida. Decidiu que iria se livrar dela quando voltasse da lua de mel.
A Jabiraca ficou estacionada em frente à casa de Rômulo. Porém, quando voltaram da viagem, o carro não estava mais lá. Tudo indica que foi furtada. Rômulo nem poderia ser acusado de ter facilitado o crime, uma vez que não tinha seguro e sofreu um significativo prejuízo financeiro.
Há quem diga que a Jabiraca não foi surrupiada, mas fugiu por não concordar com a escolha amorosa de Rômulo.
Pelo visto a antipatia da Jabiraca pela Heloisa não era à toa. O casal logo se separou e hoje Rômulo vive sozinho, sem a Heloisa e a Jabiraca.

Rafael Ferreira da Silva[1]



[1] O autor é casado e pai de uma menina. Mora em São Paulo e é advogado. Nas horas livres gosta de contar uns causos que testemunhou, ouviu ou imaginou.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

CONTOS DO RAFAEL - Introdução

Após receber inúmeros elogios endereçados ao Rafael pelo texto-conto de sua criação "O Velório de Urgolino" que publicamos 24/10/14 aqui em nosso blog, resolvemos, atendendo aos leitores, publicar, semanalmente, um novo conto,  daqueles já escritos pelo nosso zagueirão-premiado Rafael "Rafa" Ferreira da Silva.
Esperamos que a cada título apresentado aumente o número de apreciadores do ótimo lazer, da boa leitura, com o Rafa cada vez mais prestigiado, merecidamente. Aguardem!

terça-feira, 4 de novembro de 2014

36ºJogo do Ano: 01/11/14 : 12 x 6

1º de novembro de 2014, 36º Jogo do Ano: 12 x 6

Os times foram assim escalados:
MARCELO (time Amarelo): Mauro no gol (depois Silvestre), Antonio, Silvestre (depois Maurão) Carlão, Hélio, Marcelo, Tomaz, Rodrigo Marley e Padilha.
Marcaram os 12 gols: Antonio 1, Carlão 2, Marcelo 1, Padilha 2, Tomaz 3 e Rodrigo Marley 3.

RODOLPHO (time Rubro-Negro): Barba no gol, Chilinho, Daniel, Paulão, Rafael,  Felipe, Kennedy e Rodolpho. No 2º tempo chegou Rojas e entrou neste time.
Marcaram os 6 gols: Chilinho 1, Daniel 2, Felipe 1 e Kennedy 2. 

REUNIÃO APÓS O JOGO
Maurão comentou sobre o lamentável fato de que quase não houve jogo, agradeceu a presença de todos, e principalmente aos convidados e quem os convidou.
O conselheiro Hélio comentou que se não há mais interesse em jogar futebol nos sábados à tarde, sugeriu que a continuar assim, encerremos as atividades. 
Maurão avisou que todos que forem faltar devem avisar até o meio-dia da 5ª feira anterior ao jogo, pois assim será possível convidar amigos para virem completar e, com certeza jogar. 
Foi confirmada a nossa Churrascada de Confraternização de 2014: sábado próximo, dia 08, após o jogo. Para isso foi pedido que todos cheguem à 15:00h. para o jogo iniciar às 15:30h.e encerrar no máximo 17:15h. LOCAL: no quiosque do clube onde tem a churrasqueira, após o campo de baixo (de nº 01).
Foi solicitado a todos que possam,  trazer "extensões" para podermos puxar luz (eletricidade) de outros locais, pois naquele local não há iluminação. Caso contrário não poderá haver o tradicional jogo de Truco e encerraremos ao escurecer. 
IMPORTANTE  também, foi: quem tiver uma lona ou plástico resistente, para improvisar e ampliarmos a cobertura em caso de chuva.
Maurão lembrou aos novos integrantes que poderão, após o jogo, tambvém participar do encontro. E que este mês a colaboração de cada um, até o próximo sábado, está meio apertada, pois são 25 da camisa nova (um jogo), 25 do churrasco e 30 da mensalidade. Agradecemos  novamente aos conselheiros Rodolpho e Carlão pela compra de 1 jogo de camisas (caso contrário cada um pagaria 50 ou teríamos só 1 jogo novo de camisas).

DESTAQUE
O destaque foi para nosso veteraníssimo artilheiro Padilha que marcando 2 golaços colaborou com grande vitória do seu time, comandado pelo volante Marcelo.
ARBITRAGEM:
Devido à necessidade de se completar o time para haver jogo, nosso juiz oficial Barba concordou em jogar no gol de um dos times e assim também colaborar com os AMIGOS. Muito obrigado ao Barba por mais essa. Como está contundido (ainda no DM), poderia simplesmente ir embora. Esperamos que possa jogar em breve e mostrar toda a sua categoria no meio de campo.

ANIVERSARIANTES DO MÊS (novembro)
Carlão está fazendo hoje, dia 4, 46 anos.
Serginho fará 54 dia 21
Maurão fará 54 dia 28
A todos eles um grande abraço, com votos de muita saúde e muitas, muitas alegrias!!!!!!!!!


COMENTÁRIO DO JOGO
Por Rafael Ferreira da Silva
Se o mês passado foi Outubro Rosa (período da campanha de conscientização sobre a importância da prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama), agora estamos no Novembro Azul (período da campanha de conscientização sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de próstata e outras doenças masculinas).

Nesse Novembro Azul os capitães eleitos para montar os times foram os amigos Marcelo e Rodholfo.

E a missão da primeira partida do mês não foi nada fácil.

Com um quórum reduzidíssimo, cujo número mínimo só foi possível graças à presença de 4 convidados e a boa vontade do Barba que se ofereceu para jogar como goleiro, os capitães precisaram de muita sabedoria para conseguir equilibrar a distribuição de capacidade técnica com a condição física dos presentes.

Embora teoricamente os times estivessem equilibrados, a eficiência dos escolhidos do capitão Marcelo e a incompetência daqueles que jogaram com o capitão Rodholfo foram determinantes para que o jogo já estivesse decidido no primeiro tempo e terminasse com o elástico placar de 12 x 7.

Aproveitando o espaço no campo e a não aplicação da regra do impedimento, a veloz dupla Rodrigo Bob Marley e Tomás deitou e rolou sobre o sistema defensivo do time de Rodholfo. Nem bem tinha transcorrido a metade do primeiro tempo e o time do Marcelo já ganhava de 5 x 1.

Mas supondo que o time Dourado, do Marcelo, não tivesse sido tão eficiente, ainda assim o time Rubro-Negro, do Rodholfo, não conseguiria melhor sorte. Seus jogadores mostravam-se incapazes de trocar 3 passes certos seguidos e quando raramente isso acontecia as chances de gol criadas era desperdiças com vergonhosas finalizações (exceção para o arremate do convidado Felipe que terminou em um belíssimo gol).

A vantagem mínima de gols favorável para o time de Marcelo aconteceu quando a partida chegou ao placar de 5 x 3, porém isso perdurou por um breve momento e no início do segundo tempo foi ampliada para 8 x 3.

Sem efetivas chances de reagir, mesmo com a entrada do atrasadíssimo Rojas para o time Rubro-Negro, a partida transcorreu de forma melancólica, com os dois times jogando de modo bastante displicente e o placar final é o melhor retrato disso.

O ponto alto do sábado foi que amigo Padilha, com 80 anos completados no dia anterior, recebeu justas homenagens dos presentes e ainda foi agraciado com dois gols marcados com muito oportunismo.
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Nota de apelo

Amigos, sei que ao longo desses quase 30 anos esse grupo tem permanecido firme, superando diversas dificuldades, tendo passado um período sem jogar quando a USP fechou seus campos para o público até o Padilha ter conseguido o espaço atual.

Entendo que a sobrevivência do grupo ocorreu pela abnegação de alguns e pela adoção de regras rígidas estabelecidas pelo conselho, das quais o Maurão faz o dedicado papel de guardião.

Entretanto, embora seja novo no grupo, observo que vivemos uma crise na formação do plantel de cada sábado.

No último foi lamentável. Somente conseguimos jogar porque felizmente tivemos a presença de convidados.

O mais triste é que isso aconteceu várias vezes durante o ano.

Mais chato ainda é que isso parece ser uma tendência de difícil reversão.

Por que isso acontece? Na minha visão 3 são os principais fatores:

- Existe um desinteresse geral na prática do futebol, o que não ocorria no passado;
- Os componentes do nosso grupo, por conta da idade e/ou por talvez não fazer um trabalho de preparação física durante a semana, estão cada vez mais suscetíveis à lesões;
- Os convidados não tem motivos para se sentirem estimulados a voltar (por coisas como esperar na pedra, revezar, ser goleiro, etc...)

Ainda que seja difícil, acredito que podemos mudar isso.

Para tanto, algumas regras precisam ser revistas.

Precisa haver uma cobrança efetiva e rigorosa dos membros permanentes do grupo quanto a presença, cumprimento de horário e pagamento dos rateios. 

Por exemplo, tendo quórum para começar a partida, nada de ficar esperando o atrasado chegar, entra com o jogo em andamento ou espera o segundo tempo.

Deixou de vir sem uma justificativa séria (a ser julgada pelo conselho), avisou depois da quinta-feira que não vem, está atrasado no pagamento dos rateios, arrumou confusão durante o jogo, define-se um período de perda dos direitos de componente fixo no grupo que somente são restaurados com o cumprimento da pena (vai ser goleiro por um número x de sábados, reveza com os visitantes, etc...).

Os convidados trazidos com prévio aviso para suprir as vagas deixadas pelos membros fixos precisam ser bem tratados e poupados dos aspectos chatos dos jogos de sábado. Da forma como é, dá a sensação que usamos os convidados. Se vocês querem aumentar o grupo é importante que esse convidado se sinta bem vindo e com vontade de voltar.

A partir do momento que o convidado volte uma, duas, três vezes então começa a se sujeitar as regras.

Penso que essas ideias (algumas delas são de vocês mesmo) possam ser introduzidas em um regulamento, cuja minuta posso apresentar durante o mês de dezembro.

Aproveitem o churrasco (do qual não posso participar) para debater o que expus e me digam se posso ou não preparar a minuta desse regulamento.