segunda-feira, 17 de novembro de 2014

CONTOS DO RAFA, nº 4 - Ivan e o corcunda

Ivan e o corcunda
                Ivan era visto por todos como um homem de sorte. Saúde de ferro, jamais foi vítima de um acidente, bem sucedido nos negócios e na vida amorosa. Era a personificação de Gastão, o primo do Pato Donald.
                Para não dar chance ao azar, a pitoresca figura sempre tomou alguns cuidados. Bate na madeira três vezes quando fala ou escuta sobre algo ruim. Em sua residência tem uma ferradura acima da porta da sala, uma bíblia aberta no Salmo 91 sobre a mesa, a escultura de um elefante com o traseiro voltado para entrada da casa, várias Espadas de São Jorge plantadas no quintal e na cômoda do quarto é possível ver um Buda sorridente sentado sobre uma pilha de moedas.
                Quem o conhece jura que jamais viu ou imagina que Ivan seja capaz de passar por baixo de uma escada, marcar compromissos em uma sexta-feira 13, deixar uma pasta ou mochila no chão, abrir guarda-chuva em casa, quebrar um espelho ou cruzar na frente de um gato preto.
                Na época da Copa do Mundo, Ivan veste a mesma cueca que usava quando a seleção brasileira foi campeã em 1970, na sua carteira nunca falta uma nota de 1 dólar e um trevo de 4 folhas, seu chaveiro é um pé de coelho, somente entra nos lugares com o pé direito e pelo menos uma vez por semana faz questão de tomar banho de sal grosso.
                A única frustração de Ivan é que ele nunca havia passado a mão nas costas de um corcunda.
Porém, Ivan nunca havia encontrado um corcunda e não sabia onde achar alguém com essa característica. E olha que não foi por falta de procurar. Sempre que tinha um tempo sobrando, a pitoresca figura dava um jeito de entrar em clínicas ortopédicas para achar alguém com a mesma deformação do famoso personagem da Catedral de Notre Dame.
Recentemente, enquanto assistia uma cerimônia de casamento, Ivan avistou um pequeno corcunda que estava do outro lado da Igreja vestindo um terno verde escuro. Ele não conseguia mais prestar atenção no evento. Sua atenção estava toda voltada para aquela figura que tanto tempo esperou encontrar.
O problema é que a igreja estava lotada. Enquanto não terminasse a cerimônia era impossível chegar perto do corcunda. Sem qualquer pudor, estrategicamente Ivan se colocou na entrada da Igreja e esperou. Uma hora os convidados teriam que sair.
Fim da cerimônia, pela porta da igreja passaram os noivos, padrinhos, convidados, penetras, mas nada do corcunda. Onde estaria aquele infeliz? Ivan começou a suar frio e sentia dores no estômago diante da possibilidade de ter perdido sua chance.
A frustração deu lugar a um novo momento de euforia quando avistou o corcunda entrando no carro de um dos padrinhos. Ainda bem, ele iria à festa!
Chegando ao salão, Ivan não queria saber de mais nada. Cumprimentar os noivos, confraternizar com os amigos, comer, beber, dançar, tudo isso perdeu a importância.  O pensamento estava fixo em encontrar o maldito.
De repente, ele vê um volume verde escuro em uma mesa entre os convidados próximo de onde estava. Esticou o braço e apalpou. Não era as costas do corcunda como imaginou, mas as nádegas de uma senhora que estava inclinada procurando a bolsa que havia caído. O pedido de desculpas não conteve a indignação da vítima daquele ultraje. Em função do alvoroço foi sutilmente orientado pelos seguranças a se retirar da festa.
Apesar da vergonha, Ivan não sairia sem alcançar seu objetivo. Ficou na rua, tomou o cuidado de checar que não haviam outras saídas além da porta onde as pessoas deixavam seus carros com os manobristas e pacientemente aguardou.
Chovia torrencialmente e Ivan não tinha uma proteção. O vento aumentava a sensação de frio que, com a fome e sede que apertavam, faziam da espera uma tortura atroz.
Eram quase 4 horas da manhã quando finalmente o corcunda saiu do salão de braços dados com uma bonita moça, curiosamente uns 30 centímetros mais alta que ele.
Na maior cara de pau, Ivan caminhou rápido e de surpresa abraçou fortemente o corcunda, dando-lhe demorados tapas nas costas, como se fossem velhos amigos.
Depois de se desvencilhar, o corcunda fulminou o sujeito impertinente com um severo olhar de reprovação, mas conteve o ímpeto de devolver o ato com uma agressão. Por experiências anteriores sabia que era mais um imbecil que queria por a mão na sua deformidade.
Sem se importar com o que o corcunda pensava, Ivan foi para casa feliz da vida e dormiu realizado.
Acordou bem humorado e assobiando entrou no carro para ir trabalhar. Não andou cinco quarteirões e o veículo quebrou. Ligou para o guincho, mas a seguradora disse que naquele dia o socorro demoraria para chegar. Resolveu prosseguir andando. No caminho foi assaltado. Sem dinheiro e celular, achou melhor voltar para casa. Ao chegar descobriu que a mulher o traia com o vizinho. Desolado, saiu para a rua e foi atropelado. No hospital contraiu uma infecção e levou meses para receber alta. Sem o olho do dono, os negócios degringolaram. Para piorar, o fundo de reserva foi desfalcado pelo sócio que desapareceu, assim como a sorte de Ivan.

Rafael Ferreira da Silva[1]



[1] O autor é casado e pai de uma menina. Mora em São Paulo e é advogado. Nas horas livres gosta de contar uns causos que testemunhou, ouviu ou imaginou.

38º Jogo de 2014: 5 x 3 em 15.novembro

Os times foram assim escalados, a 3ª vez pela dupla de primos Rodolpho e Marcelo, com mais uma vitória de Marcelo, num jogo bastante conturbado:

Time do Marcelo, vencedor: Maurão no gol, Antonio, Beto, Carlos, Chile, Marcelo,  Padilha, Rod Marley, Rojas e Tomaz.
Marcaram os 5 gols: Rod Marley 3 e Tomaz 2.

Time do Rodolpho, perdedor: Silvestre no gol (depois Cvdd), Chilinho, Cvdd (depois Silvestre), Daniel, Edú, Hélio, Paulão, Rafael, Rodolpho, Samuca e Thiago.
Marcaram os 3 gols: Edú 1 e Chilinho 2.

ARBITRAGEM:
Ainda sem condições físicas para jogar, Professor uma vez mais colaborou apitando, na ausência do Barba. Teve uma atuação de regular para boa, interpretando corretamente alguns lances de impedimento e faltas, que ocorreram. Sempre demonstrando imparcialidade, não teve influência no resultado da partida. Alguns AMIGOS , infelizmente, não entendem como uma colaboração de quem apita. Sempre é melhor jogar COM um árbitro do que SEM, pois ele assumindo um lance duvidoso, evita brigas e um desnecessário desgaste, atritos entre AMIGOS. 
Por causa de muita reclamação o Professor teve que mostrar cartão amarelo aos capitães Rodolpho e Marcelo. Rodolpho, no final do 1º tempo recebeu o 2º amarelo e portanto o Vermelho. Após 5 minutos o juiz encerrou o primeiro tempo. Na volta, com anuência do capitão adversário, do juiz, e do Maurão, Rodolpho entrou para o 2º tempo como se tivesse cumprido a punição de 10 minutos fora de jogo.

DESTAQUE
Antonio foi considerado o destaque do jogo devido à sua atuação como volante de contenção, e também na armação das jogadas do seu time, bem como, várias vezes apareceu no ataque, levando perigo à meta adversária. Fala pouco e joga muito! Parabéns Toninho!!!!!!!

OCORRÊNCIAS
O jogo foi muito truncado, com reclamações das duas partes, em diversos lances. O maior motivo das reclamações foi o fato de ter havido, segundo relatos, um acordo entre os capitães, de que um time iria iniciar jogando com um atleta a menos, mas que no 2º tempo, passaria a ter aquele jogador a mais, portanto haveria a inversão, passando a jogar agora com um a menos, o time que foi incialmente favorecido. Na metade do 2º tempo, Rodolpho abandonou o campo alegando contusão, mas, percebeu-se, que foi por insatisfação em relação à atitude do capitão adversário Marcelo e talvez insatisfeito também com seguidos erros técnicos de alguns de seus comandados e do árbitro (Professor).  Carlão, sentindo-se envolvido e reconhecendo sua participação nos acontecimentos que culminaram com a decisão de Rodolpho de abandonar o campo de jogo, também saiu de campo, afirmando que saía, para assim equilibrar um pouco a partida com a saída do Rodolpho.

COMENTÁRIO DO JOGO
Aguardamos o comentário do Rafael, que será publicado em nova postagem, com título à parte no Blog. Realmente o episódio merece, da parte de TODOS uma grande reflexão, que nosso comentarista oficial do Blog irá, de forma muito clara como sempre, sugerir.

PALESTRA APÓS O JOGO
Maurão iniciou a reunião criticando veementemente a conduta e a situação criada pelos técnicos-capitães, Marcelo e Rodolpho, além das participações também negativas dos AMIGOS Edú e Carlão. 
Pelo ocorrido, Maurão definiu que, em hipótese alguma haverá outro jogo com um jogador a mais num dos times.  Que, para não deixar convidado de fora, concordou inciar o jogo de hoje com número ímpar (um a mais num dos times). Mas que se houver número ímpar de atletas os convidados se revesarão ou quem convidou um, lhe cederá o 2º tempo, ou ainda de outra forma a ser resolvida no dia.
Que sempre o jogo irá se iniciar com os primeiros 16 atletas que chegarem. Os que chegarem depois dos times escalados, entrarão no 2º tempo.
Falou do conteúdo do nosso blog, que todos devem ver.
JOGO NO PRÓXIMO SÁBADO, feriado municipal: 
Foi feita uma votação com  os presentes e chegou-se a conclusão de que HAVERÁ JOGO SIM. Esperamos que aqueles que confirmaram sua presença mantenham a palavra e que os que faltaram neste lamentável jogo também compareçam no próximo, dia 22.

N.R.1: Maurão enviou ao Blog, a seguinte mensagem, totalmente reproduzida e autorizada por ele:

Bom dia a todos
Bem, devido os BOs ocorrido peço desculpas pela vergonha passada e peço desculpas pelos amigos envolvidos tabem.neste sabado dia 15/11/14.Não pude deixar de  dar os Parabéns e comentar como devia  com vcs, uma
odisseia que passamos nesta semana que passou,(ESPERO QUE MUITOS DE VCS TB.), ao contar com a maravilha escrita pelos nossos editores Helio e Rafael , antes e depois no blog, uma leitura onde todos que tiveram a curiosidade de abrir o blog e l er ou participado da brincadeira que o Amigo Rafa fez com todos vcs. pelo e-mail, foi uma leitura onde todos viajaram como se estivessem vivendo ou jogando naquele momento, e tb. o nosso churrasco liderado pela nossa equipe Eduardo; Tomaz ; Antonio, em especial
nosso amigo Rodolfo, e com a publicação das fotos muito bem feitas e comentada pelo amigo Helio em nosso Blog.
 Uma salva de palmas para Eles merecidamente e meus Parabéns, gostei muito.

N.R.2: Em razão dos problemas ocorridos com a dupla Marcelo & Rodolpho, que ainda teriam mais 2 sábados para escalarem e comandarem os times mas que renunciaram a essa atribuição,  no que o Conselho aceitou e Maurão enviou outro e-mail avisando a todos:

Para o proximo Sabado teremos novos tecnicos:
ANTONIO    X    TOMAZ
BOA SORTE E BOAS ESCALAÇÕES.
ABRS
MAURÃO

N.R. 3:  Durante as discussões havidas durante o jogo e no seu transcorrer, alguém levantou a hipótese de que entre parentes acontece isso, de um levar vantagem sobre o outro na escalação dos times. A idéia, da maioria do Conselho é justamente o contrário: entre parentes e entre amigos próximos, haverá sempre mais diálogo, uma troca saudável, de modo que os times serão formados com equilíbrio e bom-senso.


quinta-feira, 13 de novembro de 2014

CONTOS DO RAFA nº 3 - O taxista Tião e a senhora Alzira

O taxista Tião e a senhora Alzira

Na esquina do quarteirão de um grande supermercado de bairro da classe média de São Paulo existe um ponto de táxi no qual trabalham aproximadamente 20 motoristas de praça.
Entre os motoristas do ponto, Tião se destaca pela simplicidade e simpatia que trata colegas, clientes ou qualquer pessoa que com que ele interaja.
Semanalmente, Alzira, uma senhora de aproximadamente 80 anos, faz compras no supermercado e solicita um táxi do ponto para levá-la em casa.
Para a maioria dos taxistas, atender uma corrida da Alzira era sinônimo de prejuízo e perda de tempo. Afinal, além da residência de Alzira ser muito próxima do supermercado, ainda havia o “transtorno” de ajudá-la a levar as compras até o apartamento.
Assim, bastava a Alzira sair do supermercado com as suas sacolas que misteriosamente desapareciam todos os táxis do ponto.
Apenas Tião permanecia e atendia Alzira com paciência e boa vontade. Muitas vezes uma corrida de R$ 10,00 demorava mais de 40 minutos porque Tião fazia questão de levar as compras até o apartamento e, dependendo do caso, auxiliava Alzira com pequenas tarefas, como trocar lâmpadas ou carregar um objeto mais pesado.
Notando que somente Tião a atendia, Alzira passou a procurá-lo exclusivamente, programando dia e horário da corrida.
Tião era visto pelos colegas como o otário. Os que se achavam mais espertos faziam questão de debochar do motorista de boa vontade.
Teve um dia que um dos colegas de Tião fez questão de dizer para ele:
- Hoje, enquanto você estava com a velha, peguei uma corrida com um gringo e ganhei R$ 300,00!
Feliz pela sorte do colega, Tião respondeu:
- Que ótimo! O ganho de um dia bom em uma hora.
Vendo que Tião não se incomodou com o comentário e ainda o felicitou, o “sábio” colega entendeu por bem dar uma dica ao interlocutor:
- Deixa de ser trouxa Tião! Não está vendo que a velha está abusando de você? Podia ganhar muito mais se não ficasse perdendo tempo com gente como ela.
Sem se abalar, mas querendo por um fim no assunto, Tião declarou:
- Estamos aqui para atender quem nos procurar. Aguardo a minha vez e respeito a fila, sem prejudicar ninguém. A corrida que tiver que ser minha será. Não importa o valor. Nossa função é atender bem o cliente, levando-o em segurança para o destino solicitado.
Depois desse dia o assunto não foi mais abertamente discutido, mas bastava Tião sair para atender a senhora Alzira que os comentários voltavam.
Meses depois o telefone de Tião tocou:
- Boa tarde! Gostaria de falar com o Tião:
Tião respondeu:
- É ele quem está falando.
O homem do outro lado da linha prosseguiu:
- Tião, meu nome é Antônio. Você não me conhece. Sou filho da senhora Alzira, sua cliente do supermercado.
Com o seu jeito amistoso, Tião indagou:
- Pois não seu Antônio. Tudo bem com a sua mãe? Como posso ajudá-lo?
Antônio respondeu:
- Minha mãe está ótima. Aliás, muito obrigado pela paciência que tem com ela. Mas falando de negócios, sou diretor de um banco e precisamos de um taxista de confiança. Durante os próximos dois anos teremos corridas constantes para outros municípios. Gostaríamos de contratar os seus serviços nesse período.
 O negócio foi fechado. Com a remuneração decorrente do contrato, Tião pagou as dívidas e trocou de carro.
Graças ao seu carisma e disposição para ajudar, na época que prestou serviços ao banco Tião conquistou novos clientes.
A demanda de trabalho passou a ser tão intensa que raramente Tião aparece no ponto. Nas poucas vezes que isso acontece é para atender a senhora Alzira.
                Ainda hoje, quando os colegas veem Tião com a senhora Alzira, eles costumam comentar:
                - Esse daí não aprende mesmo! Ingênuo desse jeito nunca vai melhorar de vida.

Rafael Ferreira da Silva[1]






[1] O autor é casado e pai de uma menina, advogado em São Paulo e tem outros contos para compartilhar.

CHURRASCADA DE CONFRATERNIZAÇÃO 2014 - Fotos

Marcelo, capitão vencedor do jogo, ajudando na armação do "gato".

Tomaz puxando fios do gato.
Cadeiras e mesas foram trazidas pelos  irmãos Antonio e Tomaz.
Bruninho e o zagueirão Doriva ouvem o Professor Cido.
Craque Edú foi, como sempre há anos, nosso chef-churrasqueiro.

Kell e seus convidados. Atrás nosso novo atleta bom-de-bola Rod Marley,
 o Anderson teclando o celular e chegando o Padilha com um belo churrasco no pão 
Paulão olhando o espeto de linguiça oferecido pelo churrasqueiro Edú.
Atrás, o Carlão segurando o queixo, não acreditando no que o
Barba (Olair para os íntimos) lhe contou sobre sua barriga!!!!!
Os dois técnicos-capitães deste mês de novembro: Marcelo e Rodolpho.

Samuel "Samuca", Rodolpho e Marcelo.

Bruninho, Doriva, Professor, Antonio e Thiago.

Paulão, Ruy "Padilha" e em pé o Jorge "Chile".
Chilinho, logo desapareceu da festa. Todos perguntavam onde foi?  
Goleador Kell nos visitou depois de ter mudado da região.
Rodolpho cervejando e Anderson ainda no celular.
Para registrar a presença, uma self .

De costas o Thiago, em frente Professor, Antonio, Paulão, Padilha e o Chile.

Chilinho entre o Tomaz (mordendo um churra) e Bruninho.
Um poste azul?! Não! É o novo atleta do time, Rod Marley, garoto
bom de bola messssmo!Está ganhando esse apelido porque se chama RODrigo e
tem o cabelo grande em tranças , tipo Bob MARLEY (rei do reggae falecido em '81).


Todos só olhavam o trabalho profissional do AMIGO Edú.

TRUCO comendo solto.
Barba, Hélio e Carlão também "Santista" ?!
 Não! Ele é Curinguento Roxo!
Três duplas de truco.
Kell matador, aqui ele está de garçon.


A iluminação foi um gato armado pelo Antonio.

A luz estava acesa antes mesmo de escurecer.
Começou a escurecer ...

Com a gambiarra foi possível jogar truco até mais tarde.

 As 3 duplas do truco. Professor bebia mais do que jogava.

Nosso veteraníssimo craque Padilha, 80, falou muito de sua experiência.


Que noite gostosa.... demais !!!!!!!!
Latinhas vazias. TOMAMOS TODAS ! Rá!
Quase o Antonio e o Tomaz tinham que buscar mais! Rá!!!

Tivemos, como todo ano, um bolo comemorando todos os aniversariantes !
Estava uma delícia, como sempre, o bolo da Padaria Iracema (do Edú).
Maurão ainda estava com a camisa de goleiro. Não fez discurso, nada.
Só serviu a todos. Mas em compensação comeu muuuuito !!!


Carlão fez aniversário dia 4 de novembro., cortou o bolo.
Olha a faca!!!!
Rodolpho tsmbém cortou o bolo. As carnes foram
sua colaboração na nossa Confraternização anual.





37ºJogo 2014, 8/11: 4 a 3

Em jogo marcado para se iniciar às 15:30h por causa do Churrasco de Confraternização dos AMIGOS, só foi iniciado às 16:00h.. quando ficou completo o quorum necessário. 
Os times, deste 2º desafio dos craques Rodolpho e Marcelo foram assim escalados e o resultado foi de 4 a 3 pró Marcelo.

Time do Rodolpho: Gol.Cvdd., Anderson, Chile, Doriva, Edu, Hélio, Paulo, Rojas, Rodolpho, Rodrigo, Tomaz e Padilha.
Os 3 gols dos perdedores foram marcados por: Anderson 2 e Padilha 1 (um golaço, por cobertura, dentro da área pequena, cercado por dois adversários,  num espaço reduzidíssimo).
Time do Marcelo: Silvestre, Antonio, Carlão, Chilinho, Kell, Marcelo, Maurão, Rafael, Samuca, Thiago e Rod Marley.
Os 4 gols dos vencedores foram marcados por: Chilinho 1, Kell 1, Rafael 1 e Rod Marley 1.

ARBITRAGEM:
O jogo foi apitado pelo Barba, nosso juiz oficial. Foi um jogo com certa dificuldade para ele, devido à preocupação em não tirar a autoridade dos 2 bandeiras que o auxiliaram nas laterais do campo. Um bandeirinha foi o Professor e o outro o Bruninho. Algumas marcações pertinentes aos bandeirinhas foram discutidas e não aceitas por ambos os times, originando reclamações, até acintosas. Tanto foi, que o árbitro Barba deu os seguintes cartões: Amarelo,
do time do Rodolpho para o Anderson e  para o próprio capitão Rodolpho que no segundo amarelo recebeu o Vermelho, ficando excluído da partida por 10 minutos. Do time vencedor (Marcelo) receberam cartões Amarelo: Carlão, Chilinho e Thiago Ueda.

DESTAQUE
Foi eleito o Carlão, merecidamente, pelo esforço, disposição em campo e embora não tenha feito nenhum gol, sua participação foi decisiva no placar da vitória do seu time. 
Parabéns Carlão pelo destaque e também por ter completado mais um aniversário no último dia 4.

COMENTÁRIO DO JOGO
Reforçando o pedido que sempre fazemos para que os AMIGOS colaborem enviando seus comentários do jogo, críticas e sugestões, publicamos uma postagem à parte, sugerida pelo grande colaborador, nosso zagueirão, ex-juiz de futebol do quadro da FPF e jovem premiado escritor (vejam neste Blog "Os contos do Rafael", cada semana um conto inesquecível). Vejam, então, não um comentário do jogo, mas DOIS comentários. Muita atenção também no apelo que o Rafa realiza. Apesar de ser novo na equipe (em relação à maioria, composta de veteranos, ele está há menos de 2 anos conosco) é um grande colaborador e que se preocupa em manter a turma unida por mais décadas, além dos quase trinta que temos. Suas sugestões devem ser analisadas pelo Conselho, mas, também por todos os atletas AMIGOS e comentadas com objetividade. 

OCORRÊNCIA
Tivemos a presença do nosso AMIGO, grande matador Kell (neste jogo fez só 1 gol), que tendo mudado sua residência para longe da nossa região e devido à distância, preferiu deixar de pertencer ao nosso elenco há meses. Trouxe um convidado que colaborou como goleiro.
Grande Kell ! Quando puder venha matar as saudades.

REUNIÃO APÓS O JOGO
Após o jogo todos foram para o quiosque/currasqueira do Clube, onde fizemos nossa tradicional Churrascada de Confraternização do Amigos 2014.
Vejam as fotos neste Blog. Lamentavelmente não puderam participar da nossa festa os ausentes do jogo e mais o Rafael que jogou, mas não pode ficar para o churra, por compromisso com sua Igreja. 
Ao contrário da última Churrascada de Confraternização - 2013 (vejam as fotos no Blog), desta vez a festa pode se prolongar, graças ao "gato" realizado pelo Antonio, Tomaz, Maurão, e outros, que trouxeram fios e lâmpadas. Assim, o também tradicional e barulhento TRUCO, foi até mais tarde, quando ainda esteve presente o campeão desse jogo de baralho, nosso AMIGO, veterano atleta, craque e conselheiro Sadan (Athayde, para os íntimos), atualmente mais tempo no DM do que em campo.


segunda-feira, 10 de novembro de 2014

COMENTÁRIO DO JOGO: As duas versões do Rafael

PRÓLOGO 
Da redação.
Muito interessante esta demonstração de como existem interesses pessoais, políticos e outros, que levam jornalistas e comentaristas em geral,  a puxarem "a sardinha pra sua brasa" usando até uma certa violência na maneira de se expressar. Neste Blog, sempre peço que AMIGOS dos dois times que jogaram no último sábado, enviem seu comentário sobre como viram sua vitória ou sua derrota. Isso, sem dúvida, poderia levantar polêmicas, o que eu consideraria bastante saudável para animar e mexer com nosso grupo. O Rafael conseguiu realizar dois comentários bem antagônicos, como se fossem enviados por adversários na partida. Escreve de modo exagerado sobre alguns fatos e atletas, mas tudo muito bem bolado, criativo, dentro do contexto a que se propôs, isto é, mostrar a dedicação irrestrita, imensurável, de um sujeito em relação a um líder, a um time, partido, corporação, etc. mesmo que, claramente esteja demonstrando mais paixão do que sinceridade, bom senso e honestidade, 
Por isso resolvi publicar as duas versões, nesta matéria à parte:

Vamos ao texto, na íntegra, do Rafa:
Imagino que todos têm consciência que um determinado fato pode ser narrado de diversas maneiras. Tudo depende da perspectiva e motivação de quem narra a história.

Atualmente temos à disposição os mais variados meios de informação (televisão, rádio, internet, jornais, revistas, etc...) que repercutem os mesmos fatos de formas muito diferentes. Um determinado assunto é tratado de um jeito na Veja e de outro na Carta Capital. A Folha de São Paulo segue uma linha editorial e o Estado de São Paulo outra bem diferente.

No meio jornalístico existe uma piada que reflete isso.
Uma vez um editor chegou para um repórter e lhe deu o seguinte comando:
- Quero que você escreva uma matéria sobre o Natal.
E o repórter perguntou:
- A favor ou contra?

Portanto, quando forem ler sobre qualquer assunto, procurem saber quais são as convicções e com o que o escritor está comprometido. Procurem não assimilar a informação sem antes fazer um juízo crítico.

Para dar um exemplo do que estou expondo, dessa vez farei dois comentários sobre o jogo do último sábado. O primeiro adotará uma visão pró-Rodolpho e a outra uma linha contra-Rodolpho.

O grupo pode escolher se publicamos um dos comentários, os dois ou nenhum.

O Hélio determinará quando publicará a versão vencedora no blog.

Espero que se divirtam.

Um abraço,

Rafael
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Versão 1 - Pró Rodolpho

PREJUDICADO PELA ARBITRAGEM E NA FORMAÇÃO DOS TIMES, RODOLPHO SOFRE SUA SEGUNDA DERROTA NO CONFRONTO CONTRA MARCELO

Embora tenha feito um esforço hercúleo para jogar no último sábado, o capitão Rodolpho deveria ter seguido o seu plano inicial e vindo participar apenas do churrasco.

Afinal, um dos mais ilustres integrantes do grupo foi vítima de uma ardilosa armação arquitetada pelo seu maquiavélico adversário Marcelo.

A sacanagem começou desde a formação dos times.
Contando com o apoio de uma raposa que chegou vestida com a camisa do New Castle, Marcelo escolheu para si os melhores jogadores de cada posição, deixando para Rodolpho o que havia de pior como o parasita Anderson, o supervalorizado Edu, o falador Tomas, o ineficiente Doriva e o enganador Rodrigo.

O resultado de tamanho desiquilíbrio ficou evidente logo no começo do jogo, uma vez que o time de Marcelo abriu 2 x 0.

Para piorar, o tendencioso árbitro Barba, com a ajuda dos outros integrantes da quadrilha Bruno e Cido, fizeram de tudo para conter qualquer chance de reação do time do Rodolpho. Toda a progressão de ataque do time rubro-negro era contida com faltas e impedimentos inexistentes. Não bastasse a roubalheira, os integrantes da equipe de arbitragem ainda orientavam o time que vestia as camisas douradas. Do jeito que estava só faltou o próprio Barba chutar uma bola contra o gol do time de Rodolpho.

Apesar de ter tudo contra si, o valente Rodolpho liderou sua horda de incompetentes para uma heroica reação e o primeiro tempo terminou empatado em 2 x 2.

No intervalo, quando o indomável Samuca entraria no lugar do Maurão e o equilíbrio dos times poderia ser finalmente estabelecido com algumas trocas, o capitão Marcelo humilhou Rodolpho ao lhe impor goela abaixo a manutenção dos times com estrutura inicialmente estabelecida.

Ainda que limitado técnica e fisicamente, o time de Rodolpho resistia bravamente ao ímpeto do adversário.

Como o time de Marcelo não conseguia furar o bloqueio defensivo do time rubro-negro, coube ao gatuno Barba resolver o problema. Um penalti inexistente foi marcado. O zagueiro da lenga-lenga bateu e fez. Também era fácil, ainda que errasse era certo que a arbitragem mandaria voltar.

Um pouco depois, com a arbitragem ignorando uma falta de ataque ocorrida no início do lance, o time de Marcelo ampliou a vantagem para 4 x 2.

Mesmo que isso fosse o mesmo que dar murro em ponta de faca, o time de Rodolpho lutou para ao menos conseguir um empate. Conseguiu diminuir a diferença com o oportunismo de Padilha e quando tudo indicava que um milagre iria acontecer, misteriosamente a bola sumiu para esfriar o ímpeto da reação. Posteriormente, os repórteres desse informativo tiveram conhecimento que Marcelo havia dado dinheiro para que meninos dentro do clube escondessem a bola por um tempo.

Embora a partida tenha ficado parada por vários minutos, Barba não quis dar chance para o azar, dando acréscimos mínimos antes de encerrar a partida.

Assim, dentro dessa disputa de cartas marcadas do mês de novembro, Marcelo tem agora duas vitórias sobre Rodolpho.
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Versão 2 - Contra Rodolpho

A ANTIPATIA PERDE MAIS UMA VEZ! 
MARCELO CONQUISTA SUA SEGUNDA VITÓRIA.

Com a expectativa da realização do churrasco e com o quórum completo, o jogo do último sábado tinha tudo para ser agradável e bem disputado, ainda mais porque o antipático e reclamão Rodolpho havia anunciado que não poderia jogar.

Porém, para infelicidade da maioria, o chato Rodolpho não honrou sua palavra e acabou aparecendo para fazer parte da partida.

Como nunca chega no horário, a capitão Marcelo, com a ajuda do craque Carlão, teve que quebrar a cabeça para conseguir montar dois times equilibrados. Apesar da dificuldade decorrente da presença de jogadores com características muito diferentes, além de alguns rostos novos, Marcelo fez um ótimo trabalho.

O sujeitinho desagradável que liderou o time rubro-negro até tentou protestar, como sempre faz, porém era inegável que existia uma equivalência na equipes.

Afinal, o chorão Rodolpho tinha no seu time o mortífero Anderson, o polivalente Edu, o dínamo Tomas, a parede defensiva Doriva e o rápido Rodrigo.

Embora o time dourado tenha conseguido abrir 2 x 0 no início do jogo, o equilíbrio dos times logo se traduziu no placar tanto que o primeiro tempo terminou 2 x 2.

Seguindo sua linha de transferência de responsabilidade quando está perdendo, Rodolpho passou a protestar contra as marcações da arbitragem. Porém, as reclamações não tinham qualquer sentido, uma vez que a equipe composta de três ilustres integrantes, Barba, Cido e Bruno, tinham um atuação irretocável.

No intervalo, muito sabiamente Marcelo resistiu à tentativa do Dick Vigarista Rodolpho de mudar a estrutura dos times, assegurando que Samuca entrasse no lugar de Maurão no time dourado.

A partida seguiu equilibrada no segundo tempo e estava claro que seriam os detalhes que a decidiriam.

Em uma escapada rápida pela ponta esquerda Rodrigo Bob Marley sofreu penalti indiscutível. O zagueiro Rafael converteu na cobrança. Um pouco depois, aproveitando um contra-ataque, o time de Marcelo ampliou a vantagem para 4 x 2.

Ainda assim a partida seguiu equilibrada. O veterano Padilha, com muito oportunismo, diminuiu a diferença para o time do intragável Rodolpho.

Tudo poderia acontecer, porém Rodolpho, um mal perdedor descontrolado, propositalmente tirou a bola de campo, ciente de que ela demoraria para voltar. Assim, criou uma situação para justificar sua iminente derrota.

Ainda que com uma certa demora, a bola voltou (há quem diga que o crápula Rodolpho pagou para alguém esconder) e o restante do jogo foi disputado com muita emoção.

A partida foi encerrada e mais uma vitória foi assegurada pelo Marcelo. Rodolpho teve que engolir seu orgulho e arrogância e foi murcho participar do churrasco.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

CONTOS DO RAFA : Rômulo, Heloísa e a Jabiraca

Rômulo, Heloísa e a Jabiraca
           Depois de juntar dinheiro durante os últimos três anos, Rômulo finalmente tinha condições de comprar um carro usado à vista.
               Vendido por uma pessoa de confiança, amigo do primo do cunhado do vizinho do pai de Rômulo, o carro escolhido foi um Gol, branco, 1984, refrigerado a ar, popularmente conhecido como “batedeira”. Os amigos de Rômulo apelidaram o carro de Jabiraca.
       Bem conservado, equipado somente com peças originais, a Jabiraca funcionava muito bem e proporcionou a Rômulo uma liberdade até então jamais imaginada.
           Graças à Jabiraca, Rômulo virou o chofer da casa, passou a ser presença certa em festas, churrascos e demais reuniões organizadas pelos amigos, ajudava no transporte de bens e pessoas nas atividades da Igreja e começou a ser visto com outros olhos por algumas garotas. No entanto, Rômulo tinha olhos apenas para Heloísa, com quem flertava fazia algum tempo.
Heloísa era uma garota que Rômulo conheceu no ônibus quando ia do trabalho para a escola. Ela era simpática, conversava bastante e alimentava os galanteios que recebia de Rômulo, porém quando era convidada para sair, sempre recusava o convite com alguma desculpa que não fazia sentido.
Em um desses encontros no ônibus, Rômulo e Heloísa conversavam quando ele perguntou:
- O que vai fazer depois da aula na sexta-feira?
- Tenho que voltar direto para a casa. Preciso levar minha avó na musculação!
- Que pena. Hoje vou sair mais cedo e estava pensando em lhe convidar para sairmos. Faz algum tempo que comprei um carro e podia te levar para aquele barzinho que está fazendo o maior sucesso.
- É mesmo!?!? Acabo de lembrar que minha avó está com os bíceps distendidos e não deve ir para academia hoje.
Um pouco mais tarde, Rômulo encostou a Jabiraca em frente à casa de Heloísa e buzinou. Heloísa saiu toda sorridente e saltitante de casa, mas quando viu Rômulo dentro do Gol branco sua fisionomia mudou.
Sem perceber o semblante de Heloísa, Rômulo desceu do carro abriu a porta para ela, e disse todo entusiasmado:
- Nossa você está linda! E aí? Gostou da Jabiraca?
Heloisa sorriu, entrou no carro e, enquanto Rômulo dava a volta para entrar pela porta do motorista, sussurrou:
- Que lata-velha! Como ele tem coragem de me convidar para sair em um carro desses?
Pelo visto a Jabiraca não gostou do que ouviu. Quando Rômulo girou a chave na ignição, o carro não ligou. Rômulo tentou mais algumas vezes, mas nada. Ele saiu, abriu o capô, examinou o motor, testou a parte elétrica, no entanto não havia explicação para aquele apagão. Sem saber o que fazer, pediu desculpas para Heloísa e chamou um guincho. Misteriosamente, foi só ela entrar em casa que, no primeiro teste do mecânico, o carro voltou a funcionar.
Apesar do contratempo, o obstinado Rômulo voltou a convidar Heloisa para sair. Os outros encontros foram bem sucedidos e eles começaram a namorar. Ocorre que a relação entre Heloisa e Jabiraca começou mal e dava sinais de que não se resolveria. Coincidência ou não, sempre que a Jabiraca falhava a Heloisa estava junto.
Teve uma vez que eles foram encontrar as amigas da Heloisa em uma pizzaria. Terminada a reunião, Rômulo se ofereceu para levar as moças para casa. Parece que a Jabiraca não gostou do ato de simpatia do dono para com as amigas de sua rival e resolveu morrer. Só funcionou depois que todos saíram do carro em uma noite chuvosa e tiveram que empurrar para pegar no tranco.
Em outra oportunidade, quando voltavam de uma festa, tudo corria bem até que Heloisa perguntou a Rômulo se ele não pensava em trocar de carro. Imediatamente o veículo começou a trepidar. O pneu havia furado. O pior é que uma das porcas do parafuso da roda estava espanada e Rômulo não conseguiu fazer a troca do pneu sozinho, tendo que esperar a chegada de um borracheiro chamado ao local. Enquanto sofria para tentar girar a porca espanada, Rômulo teve que ouvir um espírito de porco dentro de uma BMW parar perto de onde o carro estava e falar com a Heloisa:
- Se você estivesse em um desses não estaria passando por isso lindona!
Rômulo só não jogou a chave de roda na BMW porque não deu tempo. O engraçadinho percebeu a ameaça e arrancou dali.
Mesmo com esses e tantos outros contratempos proporcionados pela Jabiraca, Rômulo relutava em se desfazer do carro. Primeiro porque era apaixonado pela Jabiraca.  A troca por um modelo mais novo não era viável, pois Rômulo estava juntando dinheiro para casar com Heloisa. Além do mais, ficar sem carro era uma hipótese que sequer podia ser cogitada.
A gota d´água ocorreu no dia do casamento de Rômulo e Heloisa. Por questões financeiras, o evento se restringiu à cerimônia civil e a uma reunião para poucos convidados organizada na casa da irmã de Heloisa, que ficava a uns 50 quilômetros do casamento.
Após sair do cartório, com a noiva e os sogros dentro da Jabiraca, Rômulo dirigia rumo à reunião. Quando estava parado no pedágio, com dois carros à sua frente em relação à cabine de cobrança, a Jabiraca apagou e não voltava a funcionar. Rômulo foi obrigado a passar pelo pedágio empurrando o carro, com a ajuda dos sogros e com Heloísa vestida de branco, com as mãos no rosto morta de vergonha.
Transtornado, Rômulo parou o carro no acostamento, chutou, esmurrou e xingou a Jabiraca. Não entendia como um veículo que lhe deu tanta alegria o traíra daquela forma, justamente no dia mais importante da sua vida. Decidiu que iria se livrar dela quando voltasse da lua de mel.
A Jabiraca ficou estacionada em frente à casa de Rômulo. Porém, quando voltaram da viagem, o carro não estava mais lá. Tudo indica que foi furtada. Rômulo nem poderia ser acusado de ter facilitado o crime, uma vez que não tinha seguro e sofreu um significativo prejuízo financeiro.
Há quem diga que a Jabiraca não foi surrupiada, mas fugiu por não concordar com a escolha amorosa de Rômulo.
Pelo visto a antipatia da Jabiraca pela Heloisa não era à toa. O casal logo se separou e hoje Rômulo vive sozinho, sem a Heloisa e a Jabiraca.

Rafael Ferreira da Silva[1]



[1] O autor é casado e pai de uma menina. Mora em São Paulo e é advogado. Nas horas livres gosta de contar uns causos que testemunhou, ouviu ou imaginou.